Aviação no Brasil é um mercado praticamente sem concorrência

As companhias aéreas Gol e TAM somam quase 80% de domínio no mercado da aviação civil no Brasil, segundo dados da Agência de Aviação Civil (Anac). De acordo com o órgão, a participação da TAM em 2011 era de 39,62% do mercado doméstico, contra 38,22% em setembro. Já a Gol obteve 37,08% também em outubro, contra 38,87% em setembro.

O amplo domínio de somente duas empresas em um país de dimensões continentais afeta diretamente o bolso do brasileiro. De acordo com especialistas, a concorrência existe, mas não haveria uma disputa de forma acirrada em relação aos preços – fato que deixa as tarifas mais elevadas.

Recentemente, em junho, a Gol adquiriu outra empresa em operação no mercado doméstico, a Webjet. Caso as operações da Gol e da Webjet já estivessem integradas, porém, a participação da Gol em outubro atingira 42,89% – superando assim a TAM.

Já o crescimento da Azul, segundo a Anac, manteve-se na terceira posição e ficou com 9,14% do mercado doméstico em outubro. No mesmo período do ano passado a participação era de 6,63%.

Concorrência
Para o consumidor os dados apontam “a falta de opções de serviços” e “o prejuízo da concorrência”, segundo análise do professor e coordenador do curso de administração da Universidade Federal do Ceará no campus Cariri, Roberto Ramos. “Tecnicamente pode-se dizer que há concorrência, pois não se tem notícia ou indícios de que essas companhias ajam em forma de cartel, mas acredito que não há uma disputa real.”, analisa o professor.

Foram três os principais fatores apontados pelo professor que indicam o prejuízo para o consumidor. “Nem todos os destinos são atendidos por mais de uma companhia. Isso faz com que, muitas vezes, os passageiros só tenham uma opção. Em segundo lugar, quando o destino é feito por mais de uma empresa, os horários dos vôos são tão díspares que isso, por sí só, não caracteriza uma concorrência, visto que na maioria das vezes as pessoas que viajam de avião escolhem seus horários por causa de compromissos pré-agendados. Por fim, os serviços e tarifas são tão parecidos que não há um estímulo para que o consumidor escolha o serviço que mais se adequa a ele, com o melhor custo/benefício”, diz.

Qualidade dos Serviços
Segundo o professor, a falta de opções do consumidor também afeta a qualidade dos serviços prestados pelas companhias. “Voos atrasados, espaço interno insuficiente e atendimento insatisfatório são as principais queixas dos clientes”.

“Quando uma empresa não nos atende bem, a maior lição que podemos dar a ela é deixar de ser seu cliente e passar a ser cliente de um concorrente que nos atenda melhor. No setor aéreo isso não é possível. A escolha acaba sendo entre a que presta um serviço ruim e outra que oferece um serviço pior ainda”, reclama Roberto Ramos.

Demanda
Se comparado ao mesmo período do ano passado a demanda total por voos no Brasil cresceu 8,81% em outubro. A oferta de assentos, por sua vez, cresceu 12,85% em outubro e 13,7% no acumulado do ano.

Participação Internacional
A TAM, sendo a única empresa brasileira a realizar voos para fora da América do Sul e do Caribe, lidera com folga o mercado internacional. Em outubro sua fatia chegou a 88,46%, contra 9,98% da Gol.

A demanda por voos internacionais cresceu 3,42% em outubro, enquanto a oferta de assentos, também em outubro, avançou 3,81% – se comparado ao mesmo período do ano passado.

Fonte: Mariana Fontenele, do Diário do Nordeste

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